Do latim idiota (la), originado do grego antigo ἴδιώτης (idhiótis) , "um cidadão privado, individual", derivado de ἴδιος (ídhios) , "privado". Usado depreciativamente na antiga Atenas para se referir a quem se apartasse da vida pública.
Prá não citar que idiota eu sempre fui, o que me faria também dramática (além de sincera), eu vou citar-lhes alguns dos fatos que contribuem para o tal estado de espírito. E, sim, eles têm a ver com a minha assim chamada "saga". ^^
Quando eu disse "vou para a Inglaterra", eu não ouvi um "oh!" sequer. Nem mesmo um "uh!". "Que legal! Te desejo sorte, amiga!"...pff. Tudo (e pelas não estabelecidas regras gerais da generalização, "tudo" há de referir-se à maioria + 1 que, no caso, resultaria em 100%) o que eu ouvi foi "Você é louca!" ou "Que é que você vai fazer lá? Ficou maluca?".
Houve quem dissesse que eu não falava Inglês. Eu talvez não vocalizasse Inglês, dado o fato que eu nunca tive com quem conversar em Inglês (e, claro, ninguém que acreditasse que eu pudesse fazê-lo), mas eu leio e escrevo relativamente bem desde que comecei a estudar por conta própria, há uns 15 anos. Escrevo e leio em Português desde os 3, muito obrigada.
Houve quem dissesse que eu seria raptada e vendida. Em partes ou por inteiro, para os mais macabros fins. É claro que ninguém sabe das ligações para o Consulado, tentativas de contato com pessoas que moravam em outros países, horas e horas de leitura sobre os hábitos, tradições e até mesmo as origens do povo Britânico... e por aí vai. E você que está pensando aí consigo enquanto lê "Nah, que bom prá você, né? Que eu tenho a ver com isso?", com certeza faz parte do time dos 99%+1. =B
Ninguém tem a obrigação de achar nada legal, mas apoio e opinião devem ser coisas que seguem em caminhos paralelos, não necessariamente de mãos dadas. Na minha opinião, é claro.
E é por isso que eu cheguei até aqui sozinha. Planejei a viagem sozinha. Comemorei quando tinha a passagem nas mãos sozinha. Tirei meu passaporte - ninguém nem soube. Tive um apoio inesperado e muitíssimo bem-vindo quando estava fazendo a segunda mala na manhã do vôo, até o momento de botá-la no ônibus, e na noite anterior quando me levaram a primeira (porque era gigante!) e depois quando me deram carona até um aeroporto após um almoço meio triste, mas que eu não trocaria por nada nem pela companhia de ninguém mais.
E você que se identificou no parágrafo acima e sabe que eu tenho um nó gigante na garganta enquanto escrevo isso, bem-vindo ao clube dos 1%.
Mas eu fui de aeroporto em aeroporto sozinha. Duas malas maiores que duas vezes eu prá carregar, a minha vida prestes a mudar drásticamente (e quiçá, prá sempre), 14 horas de vôo pela frente e a solidão no meu ombro.
Fotos, comitiva, torcida, abraço apertado, lágrimas, mensagens de texto, ligações. Não para mim.
Houve quem me ligasse mais que minha mãe até que eu entrasse no avião, e é dessas pessoas também uma parte da porcentagem menor. Aliás, minha mãe não me ligou; estava trabalhando - eu entendo. Meu pai nem sabia que eu estava viajando porque ele não pode me ligar por causa da minha mãe - eu entendo também. Eu entendo tudo, mas não queria.
No avião a senhora do meu lado falava alemão (e eu não), e já em Manchester, só o Oliver me aguardava na saída. E só o Oliver me aguarda em todo lugar, o tempo todo. De porto a porto, a solidão é uma só e é a mesma; e dói.
Há quem diga que é culpa minha, por eu ser tão cinza. Ok. Eu vou ser bem feliz prá mim mesma até que o destino me atraia algumas pessoas com as quais eu possa ser feliz junto... e aí eu vou olhar prá trás e ver como eu era boba por me sentir triste sozinha sendo que eu podia me sentir feliz sozinha e alimentar essa esperança tão legal de um dia encontrar umas pessoas nesse simples processo de ode à positividade. Só que NÃO.
É mais ou menos como cuidar de uma orquídea e de um cacto: a orquídea é uma plantinha chata, requer uma porção de cuidadinhos bestas - mas é bonita e você pode mostrar pra todo mundo (e ainda dizer que é de uma subespécie super rara e que você pagou super caro e tudo o mais). Já o cacto... Bem, um cacto é um cacto; água a cada três meses e sol para torrá-lo todo dia, o dia todo. Deixe-o em seu próprio vaso, porque planta nenhuma resiste ao mesmo tratamento, e é só. Se você disser que tem um cacto, você provavelmente ouvirá que tem um gosto um tanto quanto exótico - e, no fim, é no máximo uma plantinha divertida.
Mas se você esquecer de aguá-lo por um tempo... bem, ele não vai murchar na sua cara e morrer duma forma bem dramatica, forçando você a começar todo o processo novamente, com uma nova planta.
Bem, prá encerrar e não adicionar o adjetivo "chata" à lista de impeditivos para uma convivência em sociedade nível normal, eu quero dizer que o objetivo deste post não é me fazer de coitada. "Vítima" não deve ser incluído na tal lista, certo? É um desabafo, e as palavras me absorvem mais do que refletem. É disso que eu gosto e preciso.
Tá?
Jessé - Porto Solidão